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sábado, 19 de junho de 2010

0 O Conteúdo da Aliança da Graça – Louis Berkhof


1. AS PROMESSAS DE DEUS. A principal promessa de Deus, que inclui todas as outras promessas, está contida nas seguintes palavras, freqüentemente repetidas: "Serei Deus para ti e para a tua semente, depois de ti", Gn 17.7.* Encontra-se esta promessa em várias passagens do Velho e do Novo Testamentos que falam da introdução de uma nova fase da vida pactuai, ou se referem a uma renovação da aliança, Jr 31.33; 32.38-40; Ez 34.23-25,30,31; 36.25-28; 37.26,27; 2Co 6.16-18; Hb 8.10. A promessa será cumprida plenamente quando, afinal, a nova Jerusalém descer do céu, da parte de Deus, e o tabernáculo de Deus for montado entre os homens. Conse¬qüentemente, ouvimos o seu derradeiro eco em Ap 21.3. Esta grande promessa ressoa muitas vezes na jubilosa exaltação dos que se acham na relação pactuai com Deus: "Jeová é o meu Deus". Esta única promessa realmente inclui todas as outras promessas, tais como: (a) a promessa de diversas bênçãos temporais, que muitas vezes servem para simbolizar as de natureza espiritual; (b) a promessa de jurisdição, incluindo a adoção de filhos e o direito à vida eterna; (c) a promessa do Espírito de Deus para a plena e livre aplicação da obra de redenção e de todas as bênçãos da salvação; e (d) a promessa de glorificação final numa vida que jamais terá fim. Cf. Jó 19.25-27; SI 16.11; 73.24-26; Is 43.25; Jr 31.33,34; Ez 36.27; Dn 12.2,3; Gl 4.5,6; Tt3.7;Hb 11.7; Tg 2.5.

2. A RESPOSTA FAVORÁVEL DO HOMEM. Naturalmente, o assentimento ou respos¬ta favorável do homem a essas promessas de Deus aparece em várias formas, sendo que a natureza da resposta é determinada pelas promessas, (a) Em geral, a relação entre a aliança de Deus e o crente individual ou os crentes coletivamente considerados, é representada pela íntima relação de noivo e noiva, esposo e esposa, pai e filhos. Isto implica que a resposta positiva dos que compartem as bênçãos da aliança será caracterizada por um amor verdadeiro, fiel, confiante, consagrado e devotado, (b) À promessa geral, "Eu serei o teu Deus", o homem responde dizendo, "pertencerei ao teu povo", e lançando a sua sorte com o povo de Deus. (c) E à promessa de justificação para perdão de pecados, a adoção de filhos e a vida eterna, ele responde com a fé salvadora em Jesus Cristo, com a confiança depositada nele para o tempo e a eternidade, e com uma vida de obediência e consagração a Deus.

Características da Aliança da Graça

1. É ALIANÇA CARACTERIZADA PELA GRAÇA. Pode-se afirmar que é uma aliança caracterizada pela graça, (a) porque nela Deus permite que um Fiador cumpra as nossas obrigações; (b) porque ele mesmo prove o Fiador na pessoa do seu Filho, que satisfaz as exigências da justiça; e (c) porque por sua graça, revelada na operação do Espírito Santo, ele capacita o homem a cumprir as responsabilidades da sua aliança. A aliança origina-se na graça de Deus, é executada em virtude da graça de Deus e se concretiza na vida dos pecadores, pela graça de Deus. É graça do começo ao fim para o pecador.

2.         É ALIANÇA TRINITÁRIA. O trino Deus age na aliança da graça. Ela tem sua origem no eletivo amor e graça do Pai, encontra seu fundamento jurídico no ofício de Fiador exercido pelo Filho, e só se realiza plenamente nas vidas dos pecadores pela eficaz aplicação feita pelo Espírito Santo, Jo 1.16; Ef 1.1-14; 2.8; lPe 1.2.

3.         É ALIANÇA ETERNA E, PORTANTO, INVIOLÁVEL. Quando falamos que a aliança é eterna, referimo-nos à eternidade futura, e não à passada, Gn 17.19; 2Sm 23.5; Hb 13.20. Só poderemos ligá-la à eternidade passada, se não fizermos distinção entre ela e a aliança da redenção. O fato de ser eterna implica também que é inviolável; e esta é uma das razões pelas quais ela pode ser chamada testamento, Hb 9.17. Deus permanecerá para sempre fiel a sua aliança e sem sombra de variação a levará à plena realização nos eleitos. Contudo, não significa que o homem não pode romper e nunca romperá a relação pactuai em que se acha.

4.         É ALIANÇA PARTICULAR. NÃO UNIVERSAL. Significa (a) que ela não realizará em todos os homens, como alegam alguns universalistas, e também que Deus não teve a intenção de que se realizasse nas vidas de todos, como ensinam os pelagianos, os arminianos e os Luteranos; (b) que, mesmo na qualidade de uma relação pactuai externa, ela não se estende a todos aqueles a quem o Evangelho é pregado, pois muitos deles não querem ser incorporados na aliança; e (c) que a oferta da aliança não chega a todos, visto que tem havido muitos indiví¬duos e até nações que jamais tiveram conhecimento do meio de salvação. Alguns dos luteranos mais antigos alegam que se pode dizer que a aliança é universal porque houve períodos da história em que ela foi oferecida à raça humana toda, como, por exemplo, a Adão, Noé e sua família, e mesmo nos dias dos apóstolos. Mas não há base para fazer de Adão e Noé recebedores representativos do oferecimento da aliança; e o certo é que os apóstolos não evangelizaram o mundo inteiro. Alguns teólogos reformados, como Musculus, Polanus, Wollebius e outros, falavam de um foedus generale (aliança geral) em distinção de um foedus speciale ac sempiternum (aliança especial e sempitema), mas, ao fazê-lo, tinham em mente a aliança geral de Deus com todas as criaturas, homens e animais, estabelecida mediante Noé. A dispensação neotestamentária da aliança pode ser chamada universal no sentido de que, nela, a aliança é estendida a todas as nações, não se limitando mais aos judeus, como se limitava na antiga dispensação.

É ESSENCIALMENTE A MESMA EM AMBAS AS DISPENSAÇÕES, EMBORA COM MUDANÇAS NA FORMA DA SUA ADMINISTRAÇÃO. Esta afirmação é contraditada por todos os que declaram que os santos veterotestamentários foram salvos de maneira diferente da dos crentes neotestamentários. Exemplos dos que assumem esta posição: Os pelagianos e socinianos, que sustentam que Deus deu ajuda adicional com o exemplo e os ensinos de Cristo; os católicos romanos, que afirmam que os santos do Antigo Testamento ficaram no Limbus patrum (Limbo dos pais) até quando Cristo desceu ao hades; os seguidores de Coceio, que asseveravam que os crentes veterotestamentários só receberam uma paresis (um passar por alto) e não uma aphesis (pleno perdão dos pecados); c os dispensacionalistas atuais, que distin¬guem várias e diferentes alianças (Scofield menciona ; Milligan, ), e insistem na necessidade de mantê-las distintas. A unidade da aliança em ambas as dispensações é comprovada pelas seguintes ponderações:

a.         A expressão sumária da aliança é a mesma sempre, tanto no Antigo como no Novo Testamento: "Eu serei o seu Deus". Esta é a expressão do conteúdo essencial da aliança com Abraão, Gn 17.7, da aliança sináitica, Êx 19.5; 20.1, da aliança proclamada nas planícies de Moabe, Dt 29.13, da aliança davídica, 2Sm 7.14, e da nova aliança, Jr 31.33; Hb 8.10. Esta promessa é de fato um sumário totalmente abrangente, e contém uma garantia das mais perfeitas bênçãos pactuais. Do fato de que Deus é chamado Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Cristo infere que esses patriarcas têm posse da vida eterna, Mt 22.32.

b.         A Bíblia ensina que há somente um único Evangelho, por meio do qual os homens podem salvar-se. E porque o Evangelho nada é senão a revelação da graça, segue-se que há também somente uma aliança. Este Evangelho já foi ouvido na promessa materna, Gn 3.15, foi pregado a Abraão, Gl 3.8, e não pode ser suplantado por nenhum evangelho judaístico, Gl 1.8,9.

c.         Paulo argumenta extensamente contra os judaísticos com a tese de que o modo pelo qual Abraão obteve a salvação é típico quanto aos crentes do Novo Testamento, não importando se estes eram judeus ou gentios, Rm 4.9-25; Gl 3.7-9,17,18. Ele fala de Abraão como o pai dos crentes e prova claramente que a aliança com Abraão continua vigente. O argumento de Paulo em Rm 4 e Gl 3 esclarece perfeitamente que a lei não anulou nem alterou a aliança. Cf. também Hb 6.13-18.

d.         O Mediador da aliança é o mesmo ontem, hoje e para sempre, Hb 13.8. Em nenhum outro há salvação, Jo 14.6; pois tampouco há qualquer outro debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos, At 4.12. A semente prometida a Abraão é Cristo, Gl 3.16, e os que se identificam com Cristo são verdadeiros herdeiros da aliança, Gl 3.16-29.

e.         O meio de salvação revelado na aliança é o mesmo. A Escritura insiste nas condições idênticas em toda a linha, Gn 15.6, comparado com Rm 4.11; Hb 2.4; At 15.11; Gl 3.6,7; Hb 11.9. As promessas, cuja realização os crentes esperavam, também eram as mesmas, Gn 15.6; SI 51.12; Mt 13.17; Jo 8.56. E os sacramentos, embora diferindo na forma, têm essencialmente a mesma significação em ambas as dispensações, Rm 4.11; ICo 5.7; Cl 2.11,12.

f.          É tanto condicional quanto incondicional. Repetidamente se faz a indagação se a aliança é condicional ou incondicional. É uma indagação que não se pode responder sem uma cuidadosa discriminação, pois a resposta dependerá do ponto de vista segundo o qual se considere a aliança.

Por um lado, a aliança é incondicional. Não há na aliança da graça nenhuma condição que se possa considerar meritória. O pecador é exortado a arrepender-se e a crer, mas a sua fé e o seu arrependimento de modo nenhum merecem as bênçãos da aliança. Deve-se sustentar isto em oposição às posições católica romana e arminiana. Tampouco é condicional no sentido de que se espera que o homem realize com as suas próprias forças o que a aliança exige dele. Ao colocá-lo diante das exigências da aliança, sempre devemos lembrar-lhe o fato de que somente de Deus ele pode receber as forças necessárias para o cumprimento do seu dever. Num sentido se pode dizer que o próprio Deus preenche a condição nos eleitos. Para os que são escolhidos para a vida eterna, aquilo que se pode considerar como condição da aliança é também uma promessa e, portanto, um dom de Deus. Finalmente, a aliança não é condicional no sentido de que o recebimento de cada bênção particular da aliança depende de alguma condição. Podemos dizer que a fé é a conditio sine qua non da justificação, mas o recebimento da fé propriamente dita na regeneração não depende de nenhuma condição, mas, sim, unicamente da operação da graça de Deus em Cristo.

Por outro lado, pode-se dizer que a aliança é condicional. Há um sentido em que a aliança é condicional. Se considerarmos a base da aliança, esta se vê claramente condicionada pelo penhor de Jesus Cristo, o Fiador. Para introduzir a aliança da graça, Cristo teve de satis¬fazer, e de fato satisfez, as condições originariamente estabelecidas na aliança das obras, por sua obediência ativa e passiva. Pode-se dizer ainda que a aliança é condicional na medida em que se refere ao primeiro ingresso consciente na aliança como uma real comunhão de vida. Este ingresso depende da fé, uma fé, porém, que em si mesma é dom de Deus. Quando aqui falamos da fé como uma condição, naturalmente nos referimos à fé como uma atividade espi¬ritual da mente. É só mediante a fé que podemos obter um usufruto consciente das bênçãos da aliança. Nosso conhecimento experimental da vida pactuai depende inteiramente do exercício da fé. Aquele que não vive a vida da fé está praticamente fora da aliança, no que se refere à sua consciência. Se em nosso exame incluirmos não somente o começo, mas também o gradativo desdobramento e aperfeiçoamento da vida pactuai, poderemos considerar a santificação como uma condição, em acréscimo à fé. Todavia, ambas as condições estão dentro da aliança.

As Igrejas Reformadas se opuseram muitas vezes ao uso da palavra "condição" em conexão com a aliança da graça. Deve-se isto em grande parte a uma reação contra o Arminianismo, que empregava o vocábulo "condição" num sentido anti-escriturístico e, portanto, a uma falha em não discriminá-lo apropriadamente. Tendo em mente o que foi dito acima, parecerá perfeitamente válido falar de uma condição em conexão com a aliança da graça, pois (1) a Bíblia mostra claramente que a entrada na vida pactuai é condicionada pela fé, Jo 3.16,36; At 8.37 (texto que não se acha em alguns manuscritos); Rm 10.9; (2) muitas vezes a Escritura ameaça os filhos da aliança, mas estas ameaças aplicam-se exatamente aos que ignoram a condição, isto é, aos que se recusam a andar no caminho da aliança; e  se não houvesse nenhuma condição, só Deus estaria obrigado à aliança, e não haveria nenhuma "dis¬ciplina" ou "vínculo do concerto"* para o homem (mas cf. Ez 20.37); e, assim, a aliança deixaria de ser aliança, pois em todas as alianças há duas partes.

g. Há um sentido em que a aliança pode ser chamada testamento. Em vista do fato de que o testamento é uma declaração absoluta e desconhece condições, surge a questão se há alguma propriedade em aplicar o termo "testamento" à aliança. Há somente uma passagem do Novo Testamento em que parece justificável verter a palavra diatheke para "testamento", a saber, Hb 9.16,17. Ali Cristo é apresentado como o testador, em cuja morte a aliança da graça, considerada como um testamento, torna-se eficaz. Houve uma disposição testamentária das bênçãos da aliança, e isto entrou em vigor pela morte de Cristo. Esta é a única passagem em que se faz referência explícita à aliança como testamento. Mas a idéia de que os crentes recebem as bênçãos espirituais da aliança de maneira testamentária está implícita em várias passagens da Escritura, conquanto a apresentação implícita seja ligeiramente diversa da de Hb 9.16,17. Deus, e não Cristo, é o testador. Tanto no Antigo Testamento como no Novo, mas especialmente no Novo, os crentes são descritos como filhos de Deus, legalmente por adoção e eticamente pelo novo nascimento, Jo 1.12; Rm 8.15,16; Gl 4.4-6; Uo 3.1-3,9. Ora, as idéias de herdeiro e herança associam-se naturalmente à filiação e, portanto, não é de admirar que se encontrem freqüentemente na Escritura. Paulo declara: "Ora, se somos filhos, somos também herdeiros", Rm 8.17; Cf. também Rm 4.14; Gl 3.29; 4.1,7; Tt 3.7; Hb 6.17; 11.7; Tg 2.5. Em vista dessas passagens, não há dúvida de que a aliança e as bênçãos da aliança são descritas na Escritura como uma herança. Mas esta descrição também se baseia na idéia de testamento, com esta diferença, porém: que a confirmação da aliança não implica a morte do testador. Os crentes são herdeiros de Deus (que não pode morrer) e co-herdeiros com Cristo, Rm 8.17. É mais que evidente que, quanto ao pecador, a aliança tem um lado testamentário e pode ser considerada como uma herança; mas agora surge a questão, se também pode assumir este caráter quanto a Cristo. Parece que se requer uma resposta afirmativa, em vista do fato de que somos chamados co-herdeiros com Cristo. Então, será ele também um herdeiro? Esta pergunta pode ser respondida na afirmativa, em vista da declaração que se acha em Lc 22.29. A herança aqui referida é a glória de Cristo como Mediador, glória que ele recebeu como herança do Pai, e que ele, por seu turno, entrega como herança a todos os seus. Mas, embora haja indubitavelmente um lado testamentário, este é apenas um lado da questão, e não exclui a idéia de que a aliança é realmen¬te uma aliança. Pode-se-lhe chamar testamento porque (1) é toda ela um dom de Deus; (2) a dispensação do Novo Testamento for introduzida pela morte de Cristo; (3) é firme e inviolável; e (4) nela Deus mesmo dá o que ele exige do homem. Todavia, isto não deve ser interpretado no sentido de que não existem dois lados da aliança e que, por conseguinte, ela é absolutamente monoplêurica. Por desiguais que as partes possam ser, Deus condescende em baixar ao nível do homem e, por sua graça, habilitando-o a agir como a segunda parte da aliança. Uma aliança monoplêurica, no sentido absoluto, é realmente uma contradictio in adjecto (contradição em adjeto). Ao mesmo tempo, os teólogos que darão ênfase ao caráter monoplêurico da aliança o fazem para salientar uma importante verdade, a saber, que Deus e o homem não se encontram a meio caminho na aliança, mas, sim, que Deus desce até o homem e, por sua graça, estabelece a sua aliança com ele, dando livremente tudo quanto ele requer, e que o homem é realmente o único beneficiado pela aliança. É essencial, porém, que o caráter diplêurico da aliança seja mantido, porque o homem aparece nela realmente satisfazendo as exigências da aliança na fé e na conversão, conquanto seja assim somente quando Deus opera nele tanto o querer como o efetuar, de acordo com o seu beneplácito.
  

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