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sexta-feira, 25 de junho de 2010

0 O Conhecimento de Deus no Coração Natural – João Calvino


O CONHECIMENTO DE DEUS É IMPLANTADO no coração do homem de modo natural.

Sustentamos ser fato indisputável que alguma consciência da existência de uma deidade está naturalmente arraigada na mente humana. O próprio Deus deu ao homem esta convicção, e constantemente a renova, de modo que o homem não possa pleitear a ignorância com desculpa pela sua falta de sujeição à vontade do seu Criador. Um escritor pagão (Cícero) nos contou que não há nação tão bárbara que esteja destituída da crença na existência de um Deus.

Visto, portanto que nunca houve um país, uma cidade ou um lar, sem algum senso de religião, temos nisto um tipo de confissão tácita de que o homem naturalmente sabe que há um Deus. Até mesmo a idolatria comprova este fato, pois vemos que o homem, por orgulhoso que ele seja, preferiria curvar-se diante de um toro de madeira ou pedra do que ser considerado destituído de um deus.

Portanto, é muito absurdo dizer, como dizem alguns, que a religião foi inventada pela astúcia e esperteza de alguns poucos, a fim de conservarem em servidão o povo comum. Reconheço que homens astutos tenham inventado muitos dispositivos na religião para fazer isso; mas nunca o teriam conseguido se não houvesse um instinto religioso profundo nas mentes dos homens. Nem sequer podemos crer que estes enganadores estavam pessoalmente destituídos de uma crença em Deus. Pois, embora tenha havido, e haja, homens que professam ser ateus, mesmo assim, de vez em quando são compelidos a sentir aquilo de que desejam esquecer.

Não lemos doutro desprezador da Deidade mais ousado do que Caio Calígula; ninguém, porém, tremia de modo mais objeto do que ele quando aparecia algum sinal da ira divina. Destarte, embora os homens procurem esconder-se da presença de Deus, são presos como num laço, e estão compelidos, querendo ou não, a reconhecer Sua existência. Logo, concluímos que esta não é uma verdade que precisa ser aprendida na escola, e sim uma que cada homem aprende de si mesmo, e que não pode erradicar do seu coração, embora force todos os seus nervos para assim fazer.

ESTE CONHECIMENTO É ABAFADO OU CORROMPIDO, parcialmente pela ignorância e parcialmente pela maldade.

Ainda que a experiência testifique que algum germe de religião foi implantada em todos os homens pelo seu Criador, dificilmente uma pessoa entre cem cuida dele, e não há uma em quem amadureça e frutifique. Alguns se tornam vãos nas suas superstições, outros com perversidade deliberada afastam-se de Deus; mas todos desviam-se do verdadeiro conhecimento dEle, de modo que nenhuma verdadeira piedade permanece no mundo. Contudo, a sua estultícia não os livra da culpa, porque sua cegueira é acompanhada pela rebeldia e vaidade arrogante.

Isto é demonstrado pelo fato de que, na sua busca de Deus, não sobem acima do seu próprio nível, e sim O avaliam pela medida da sua própria tolice carnal, e se desviam para vâs especulações. Não pensam dEle de acordo com a revelação que dá de Si mesmo, e sim, entendem que Ele é conforme sua própria presunção precipitada O imagina. Logo, para sua destruição certa, não adoram o Deus verdadeiro, pelo contrário, adoram um sonho do seu próprio coração. Conforme Paulo diz expressamente “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.22).

Quando Davi diz (Sl 14.1) – “Diz o insensato no seu coração. Não há Deus”, refere-se àqueles que sufocam em si mesmos a luz da natureza e deliberadamente se tornam brutais. Para tornar mais detestável a loucura deles, representa-os como totalmente negando a existência de Deus; pois embora admitam em palavras que há uma deidade, roubam-nO da Sua justiça e da Sua providência, como se Ele Se sentasse desocupado no céu. Davi é o melhor intérprete das suas próprias palavras, quando diz noutro lugar (Sl 36.2; 10-11) que não há temor de Deus diante dos olhos dos ímpios, e que se lisonjeiam nos seus maus caminhos com a imaginação de que Deus não os vê. Daquele que furta Deus do Seu poder, pode-se dizer verdadeiramente que nega que Ele existe. Deve ser observado, no entanto, que embora os maus lutam contra suas próprias convicções e se esforcem para banir Deus dos seus corações, e até mesmo gostariam de destroná-lo no céu, mesmo assim, Ele os arrasta de vem em quando para Seu tribunal de justiça, mediante a voz da consciência.

Estas considerações derrubam a defesa vazia que muitos levantam para sua própria superstição. Pensam que qualquer tipo de zelo religioso, por mais ridículo que seja, é suficiente por sua regra perpétua a vontade de Deus, e de que Ele é sempre semelhante a Si mesmo, e não um ser imaginário que pode ser alterado segundo o gosto de cada um.

A superstição zomba de Deus com falsidades, enquanto se esforça para agrada-lO. Agarra-se em observância às quais Deus já disse que não lhes dá valor, e despreza ou rejeita aquelas coisas em que Ele disse que Se deleita. Por isso, o apóstolo Paulo disse aos efésios que eles estavam sem Deus, enquanto andavam sem o conhecimento correto do único Deus verdadeiro. Realmente, se não conhecemos a Ele, faz bem pouca diferença se reconhecemos um Deus ou muitos; não tendo Ele por nosso Deus, nada mais temos senão um ídolo maldito.

A culpa dos pecadores também aparece no fato de que nunca pensam em Deus senão quando são obrigados a fazê-lo; o temor que têm dEle é servil e constrangidos afaze-lo; o temor que têm dele é servil e constrangido, causado pelos terrores do Seu julgamento, o qual, porque é inescapável, eles temem e odeiam. Estando avessos à justiça de Deus, desejariam subverter Seu trono de julgamento; no entanto desejando, se possível, evitar a aparência de que O desprezam, praticam alguma amostra externa de religião, enquanto se poluem com todos os tipos de vício, e acrescentam crime a crime, até que tenham quebrado a lei santa de Deus em todo ponto, e jogado aos ventos todas as exigências da Sua justiça. Ao passo que deve haver um curso regular de obediência a Ele na totalidade da vida deles, rebelam-se contra Deus em quase todas as suas obras, e depois procuram aplacá-lo com uns poucos e inúteis sacrifícios; e assim acontece que as trevas da iniqüidade apagam aquelas centelhas do conhecimento de Deus que naturalmente possuíam.

Na prosperidade, zombam de Deus e tagarelam contra Seu poder; quando porém, um surto de desespero os impulsiona, força-os a buscar a Deus, e os leva a proferir orações curtas, que comprovam que não tinham total ignorância dEle, e sim que presunçosamente abafavam o conhecimento dEle que estava implantando nos seus corações.

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