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segunda-feira, 24 de maio de 2010

0 A Pecaminosidade Universal - Hermann Bavinck

As Sagradas Escrituras confirmam o julgamento que a humanidade tem declarado contra si mesma. Quando no terceiro capítulo de Gênesis é dado o registro da queda, a Escritura passa a traçar, nos capítulos seguintes, como o pecado se espalhou pela raça humana e aumentou e como ele alcançou um clímax tão elevado que o julgamento do dilúvio tornou-se uma necessidade. Com relação à geração que precedeu o dilúvio, é dito que a maldade do homem cresceu muito, e que todos os pensamentos do coração do homem eram continuamente maus e que toda carne tinha corrompido seu caminho na terra e era corrupta diante de Deus (Gn 5,11,12). Mas o grande dilúvio não trouxe mudança ao coração do homem. Depois do dilúvio Deus diz que a nova humanidade, representada em Noé e em sua família, continuava tendo maus desígnios desde a sua mocidade (Gn 8.21).

Todos os santos do Velho Testamento deram testemunho desse fato. Ninguém - esse é o lamento de Jó - da imundície pode tirar coisa pura (Jó 14.4). Salomão, em sua oração de dedicação do templo, confessa que não há homem que não peque (IRe S.46). Nós lemos nos salmos 14 e 53 que quando o Senhor olha desde o céu para os filhos dos homens para ver se há alguém que entenda e busque a Deus, Ele nada vê além de sujeira e iniqüidade. Todos se desviaram e à uma se fizeram inúteis. Não há quem busque a Deus, nem sequer um. Ninguém pode permanecer diante da face de Deus, pois à Sua vis¬ta nenhum ser vivente é justificado (SI 143.2). Quem pode dizer: Purifiquei meu coração, limpo estou do meu pecado? (Pv 20.9). Em resumo, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e não peque (Ec 7.20).

Todas essas afirmações são de âmbito tão geral e tão universal, que não permitem qualquer exceção. Elas não procedem de lábios de ímpios e malvados, que geralmente não mencionam seus próprios pecados nem os de outras pessoas, mas procedem do coração de pessoas piedosas que aprenderam a conhecer a si mesmas como pecadores, na presença de Deus. E eles não fazem julgamento sobre pessoas que vivem em pecado manifesto como pagãos que não possuem conhecimento de Deus. Eles falam sobre si mesmos e sobre seu próprio povo.

A Escritura não nos descreve os santos como pessoas que viveram sobre a terra em perfeição de santidade. Ela os apresenta como pecadores que se fizeram culpados de muitas e severas transgressões. São precisamente os santos que, apesar de possuírem consciência da justiça, sentem-se profundamente culpados e comparecem diante de Deus com uma humilde confissão123. Mesmo quando eles se levantam para testemunhar contra o povo e convencê-lo de sua apostasia e de sua incredulidade elas acabam por incluir a si mesmas nesse povo como um dos que deram voz à seguinte confissão: Nós permanecemos em nossa vergonha e a desgraça nos cobre. Pecamos, com nossos pais; cometemos pecado, procedemos mal.

O Novo Testamento também não permite a menor dúvida sobre esse estado pecaminoso de toda a raça humana. Toda a pregação do Evangelho é feita sobre essa pressuposição. Quando João prega a proximidade do reino dos céus ele exige que os homens se arrependam e sejam batizados, pois a circuncisão, os sacrifícios e a obediência à lei não são capazes de obter justiça para o povo de Israel apesar dele precisar entrar no reino de Deus. Por isso saiam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados (Mt 3.5,6). Cristo pregou essa mesma mensagem sobre o reino de Deus e Ele também testificou que somente a regeneração, a fé e o arrependimento podem abrir caminho para o reino.

É verdade que em Mateus 9.12 e 13, Jesus diz que não são todos que têm necessidade de médico e que Ele veio chamar pecadores, e não justos, ao arrependimento. Mas o contexto indica que Jesus está pensando nos fariseus ao falar sobre a justiça, pois eles se recusavam a sentar-se com publicanos e pecadores, exaltavam-se acima deles, alardeavam justiça, e não necessidade de seguir o amor de Jesus.

No verso 13, Jesus afirma expressamente que se os fariseus entenderam que Deus, em Sua lei, não quer sacrifícios externos, mas piedade espiritual, eles teriam que chegar à conclusão de que, assim como os publicanos e pecadores, eram necessitados e impuros e precisavam arrepender-se em nome de Jesus. Ele mesmo limita Seu labor dirigindo-se às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24), mas depois de Sua ressurreição Ele dá aos Seus discípulos a ordem de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura, pois a salvação é para todo aquele que crê em Seu nome (Mc 16.15,16).

De acordo com isso, o após-tolo Paulo começa sua carta aos Romanos, com um abrangente argumento de que todo o mundo é culpado diante de Deus e que, portanto, ninguém pode ser justificado pelas obras da lei (Rm 3.19,20). Não somente os pagãos precisam conhecer e glorificar a Deus (Rm 1.18-32), mas também os judeus, que se orgulham em suas vantagens, mas que no fundo se fazem culpados dos mesmos pecados (Rm 2.1-3.20) - todos cometeram pecados (Rm 3.9; 11.32; Gl 3.22). E isso é para que toda boca se feche e somente a misericórdia de Deus seja glorificada na salvação.

Além disso, a pecaminosidade universal é tão fundamental na pregação do Evangelho, no Novo Testamento, que a palavra mundo toma uma conotação negativa, por causa dela. O mundo e tudo o que nele há foi criado por Deus, mas o pecado provocou uma corrupção tão profunda nele que ele se tornou uma força antagônica a Deus. Ele não conhece o Verbo ao qual deve sua existência (Jo 1.10). Todo o mundo re-pousa na maldade (ljo 5.19) e está sob o governo de Satanás, que é o príncipe deste mundo (Jo 14.30; 16.11) e falece em toda a sua luxúria e necessidade (Tg 4.4). Por isso quem ama o mundo prova que não possui o amor do Pai (lJo 2.15) e aquele que quer ser amigo do mundo torna-se um inimigo de Deus (Tg 4.4).

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