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segunda-feira, 3 de maio de 2010

0 Passion Magna – Louis Berkhof


O Cristo Sofredor

a.  Ele sofreu durante toda a sua vida. Em vista do fato de que Jesus começou a falar dos seus sofrimentos vindouros quando já se aproximava o fim da sua vida, muitas vezes somos inclinados a julgar que as suas agonias finais constituem os seus sofrimentos completos. Contudo, toda a sua vida foi uma vida de sofrimentos. Foi uma vida de servo, a do Senhor dos Exércitos, a vida do único ser humano sem pecado, na diária companhia de pecadores, e a vida do Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da obediência foi para ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do seu povo. e com a perseguição dos seus inimigos. Visto que ele pisou sozinho o lagar, a sua solidão só tinha que ser deprimente e o seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi um sofrimento consagrado, e cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação, chegou final¬mente ao clímax na passio magna (grande paixão) no fim da sua vida. Foi quando pesou sobre ele toda a ira de Deus contra o pecado.

b.        Ele sofreu no corpo e na alma. Houve tempo em que a atenção geral se fixava exclusivamente nos sofrimentos corporais do Salvador. Não foi uma simples dor física, como tal, que constituiu a essência do seu sofrimento, mas essa dor acompanhada de angústia de alma e da consciência mediatória do pecado da humanidade que pesava sobre ele. Mais tarde se tornou costumeiro subestimar a importância dos sofrimentos corporais, uma vez que achavam que a natureza espiritual só podia ser expiada por sofrimentos puramente espirituais. Esses conceitos unilaterais devem ser evitados. Tanto o corpo como a alma foram afetados pelo pecado, e a punição tinha que atingir ambos. Além disso, a Bíblia ensina claramente que Cristo sofreu em ambos. Ele agonizou no jardim, onde a sua alma esteve "profundamente triste até a morte", e também ele foi esbofeteado. açoitado e crucificado.

c.         Seus sofrimentos resultaram de várias causas. Em última análise, todos os sofrimentos de Cristo resultaram do fato de que ele tomou o lugar dos pecadores vicariamente. Mas podemos discernir várias causas próximas, como:

(1) O fato de que ele, que era o Senhor do Universo, teve que ocupar uma posição subalterna, sim, a posição de servo cativo, ou escravo, e aquele que tinha inerentemente o direito de exercer o comando, ficou com a obrigação de obedecer.

(2) O fato de que aquele que era puro e santo, teve que viver numa atmosfera pecaminosa e corrupta, diariamente na companhia de pecadores, e os pecados dos seus contemporâneos constantemente o lembravam da enormidade da culpa que pesava sobre ele.

(3) Sua perfeita noção e clara antecipação, desde o início da sua vida, dos sofrimentos extremos que, por assim dizer, o esmagariam no fim. Ele sabia exatamente o que estava para vir, e a perspectiva estava longe de ser animadora.

(4) Finalmente, também as privações da vida, as tentações do diabo, o ódio e rejeição do povo, e os maus tratos e perseguições a que esteve sujeito.

d.        Seus sofrimentos foram únicos. Às vezes falamos dos sofrimentos "ordinários" ou "comuns" de Cristo quando pensamos naqueles sofrimentos que resultaram das causas ordinárias das misérias do mundo. Mas devemos lembrar-nos de que essas causas são muito mais numerosas para o Salvador que para nós. .Além disso, mesmo estes sofrimentos comuns tinham um caráter extraordinário no caso dele, e, portanto, foram únicos, singulares. A sua 
capacidade para o sofrimento era proporcional ao caráter da sua humanidade, a sua perfeição ética e ao seu senso de justiça, santidade e verdade. Ninguém poderia sentir como Jesus sentia a dureza da dor, da tristeza e do mal moral. Mas, além destes sofrimentos mais comuns, havia também os sofrimentos causados pelo fato de que Deus fez com que as nossas iniqüidades viessem sobre ele qual torrente. Os sofrimentos do Salvador não eram puramente natu¬rais, mais também o resultado de uma ação positiva de Deus, Is 53.6,10. Juntamente com os sofrimentos mais extraordinários do Salvador devem ser computadas as tentações no deserto e as agonias no Getsêmani e no Gólgota.

e. Seus sofrimentos nas tentações. As tentações de Cristo são parte integrante dos seus sofrimentos. Essas tentações se acham na vereda do sofrimento, Mt 4.1-11 (e paralelas); Lc 22.28; Jo 12.27; Hb 4.15; 5.7,8. Seu ministério público iniciou-se com um período de tenta¬ção, e mesmo após esse período as tentações se repetiam, a intervalos, culminando nas trevas do Getsêmani. Só penetrando empaticamente nas provações dos homens em suas tentações, Jesus poderia ser o Sumo Sacerdote compassivo que foi, e atinge as culminâncias da perfeição prova¬da e triunfante, Hb 4.15; 5.7-9. Não podemos pôr em dúvida a realidade das tentações de Jesus como o último Adão, por mais difícil que seja conceber que alguém que não podia pecar fosse tentado. Várias sugestões têm sido feitas para anular a dificuldade, como, por exemplo, que na natureza humana de Cristo, como na do primeiro Adão, havia a nuda possibilitas peccandi, a possibilidade puramente abstrata de pecar (Kuyper); que a santidade de Jesus era santidade ética, que tinha que se desenvolver altamente por meio da tentação e em meio a esta manter-se (Bavinck); e que as coisas com as quais Cristo foi tentado eram em sim mesmas perfeitamente legítimas, e exerciam atração sobre instintos e apetites perfeitamente naturais (Vos). Mas, a despeito disso tudo, permanece o problema: Como foi possível que aquele que, in concreto, isto é, como ele era realmente constituído, não podia pecar, não podia sequer ter alguma inclinação para pecar, e, não obstante esteve sujeito a verdadeira tentação?

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