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sábado, 24 de abril de 2010

0 Semelhança; Não Comunhão – Hermann Bavinck


A encarnação é o começo e a introdução da obra de Cristo na terra, mas esse não é todo o seu significado, nem o mais importante significado dessa obra. E bom tentar um verdadeiro entendimento e uma idéia correta sobre isso, pois há aqueles que pensam que, ao assumir a natureza humana, Cristo completou Sua obra de reconciliação e união de Deus com o homem. Partindo da idéia de que a religião é um tipo de comunhão entre Deus e o homem, e que ambos precisam um do outro e se completam, eles afirmam que essa comunhão, corrompida pelo pecado, ou não acessível ao homem em um nível carnal, foi expressa e realizada na história por Cristo. Dessa forma a singularidade do Cristianismo consiste no fato de que a idéia de religião que está plantada na natureza humana alcança seu cumprimento na pessoa de Cristo.

Não há dúvida de que foi uma grande honra para a humanidade que o Filho unigênito de Deus, que subsistia na forma de Deus no seio do Pai, tenha assumido a forma humana. Ao assumir a forma humana Cristo relacionou-se com todos os homens. Ele se tornou participante da carne e do sangue do homem, e também de sua alma e corpo, cabeça e coração, mente e vontade, idéias e sentimentos. Cristo, nesse sentido natural, é irmão de todos nós, carne de nossa carne e osso dos nossos ossos. Mas essa semelhança natural e física, embora seja importante, não pode ser confundida nem identificada com a comunhão moral e espiritual. Entre as pessoas, nós devemos nos lembrar, é possível que membros da mesma família e parentes de sangue estejam, em um sentido espiritual, separados um dos outros por um longo caminho, ou até mesmo diametralmente opostos um ao outro. O próprio Jesus disse que veio à terra para trazer divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe, e entre a nora e a sogra, de forma que os inimigos do homem sejam os de sua própria casa (Mt 10.35,36). Portanto a descendência natural nada tem a ver com o relacionamento espiritual. A comunicação do sangue e a comunhão espiritual geralmente são pólos distintos. Portanto, se Jesus não tivesse feito mais do que assumir a natureza humana e assim expressar a unidade de Deus e homem, está além de toda compreensão como nós poderíamos entrar em relacionamento com Ele e sermos reconciliados com Deus. Assim Ele teria, ao assumir uma natureza humana sem pecado e ao viver em uma imperturbável comunhão com Deus, introduzido mais divisão entre nós e nos lançado em um senso ainda mais profundo de nossa desesperança, visto que nós, criaturas fracas e pecaminosas, nunca poderíamos segui-lo em Seu elevado exemplo. A encarnação do Filho de Deus, portanto, sem uma obra que a complemente, não pode ser um ato reconciliador e redentivo. Ela é o começo desse ato, a prepara­ção para ele e a introdução dele, mas não é o ato em si mesmo.

Se a encarnação tivesse rea­lizado a reconciliação entre Deus e o homem, não haveria lugar para uma vida, nem especialmente para uma morte do Senhor Jesus. Teria sido suficiente para Ele, seja através da concepção e do nasci­mento, seja através de qualquer outra forma, ter assumido uma natureza humana, ter vindo sobre a terra por algum tempo e ter retornado ao céu. Não teria havi­do necessidade de uma total e pro­funda humilhação de Cristo.

Mas a Escritura nos ensina algo muito diferente. Ela nos diz que o Filho de Deus não somente se tornou homem, semelhante a nós em todas as coisas exceto no pecado, mas também que Ele as­sumiu a forma de servo, humi­lhou-se e tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.7,8). Ele cumpriu toda a justiça (Mt 3.15) e santificou-se pelo sofrimen­to (Hb 2.10). Estava escrito que o Cristo deveria padecer e ressusci­tar ao terceiro dia (Lc 24.46; ICo 15.3-5). O Pai o enviou para que Ele realizasse toda a Sua obra so­bre a terra (Jo 4.34), e lhe deu um mandato para entregar a Sua vida e também para reavê-la (Jo 10.18).Tudo o que Cristo fez, por­tanto, foi o cumprimento daquilo que a mão e o conselho de Deus tinham determinado que fosse feito (At 2.23; 4.28). Na cruz, pela primeira vez, Cristo pôde dizer que tudo estava consumado e que Ele tinha realizado toda a obra que o Pai lhe tinha confiado (Jo 17.4; 19.30). Apesar do registro da vida de Cristo nos Evangelhos ser muito resumido, Sua paixão e morte é abundantemente registrada. Da mesma forma a pregação apostólica raramente menciona a concepção e o nascimento de Jesus, mas coloca toda a ênfase sobre a cruz, a morte e o sangue de Cristo. Não foi pelo nascimento, mas pela Sua morte que nós fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10).

Da forma como é apresentada na Escritura, toda a vida de Cristo assume um significado único para nós, um significado extremamente valioso. Ela é a obra perfeita que o Pai lhe incumbiu de realizar. Ela pode ser considerada de vários pontos de vista e abordada por muitos lados, e nós devemos considerá-la e abordá-la de forma que tenhamos uma visão panorâmica de seu conteúdo. Nós nunca devemos nos esquecer que trata-se de uma obra. Ela compreende e ocupa toda a vida de Cristo, desde Sua concepção até Sua morte na cruz. Assim como a pessoa de Cristo é uma em distinção de Suas naturezas, assim Sua obra também é única. Ela é, prementemente, a obra de Deus sobre a terra. Essa é uma obra cuja origem está relacionada ao conselho e ao pré-conhecimento com sua revelação em Israel e sua orientação para as nações, e tem continuidade, de forma modificada, na obra que Cristo agora realiza em Seu estado de exaltação. Essa obra tem seu ponto central no tempo sobre essa terra, mas que tem sua origem na eternidade, está arraigada na eternidade e se estende até a eternidade.

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