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sexta-feira, 30 de abril de 2010

0 "Ela Me É Querida, a Digna Donzela": Lutero e a Igreja


A última coisa na vida que Lutero queria fazer era começar uma nova igreja. Ele não era um inovador, mas um reformador. Ele nunca se considerou algo além de um membro verdadeiro e fiel da igreja una, santa, católica e apostólica. Na qualidade de doutor das Sagradas Escrituras e pastor de almas, Lutero protestou contra o abuso das indulgências (as Noventa e Cinco Teses de 1517) e foi lançado a um grande confronto com a Igreja Romana de sua época. No decorrer dessa batalha, ele pronunciou um não decisivo a todo o sistema papal. Denunciou o papa como anticristo, referiu-se à hierarquia romana como "a igreja-prostituta do diabo" e queimou o tratado inteiro da lei canônica, como também a bula papal que o havia excomungado. Esses foram atos radicais. Provocaram um cisma na cristandade ocidental que ainda não foi sanado. Lutero, entretanto, não foi um mero iconoclasta. Ele se revoltou contra a igreja por causa da igreja, contra uma igreja corrupta pelo bem da "igreja verdadeira e primitiva, um corpo e uma comunhão dos santos com a igreja cristã, santa e universal".
Longe de ser defensor do individualismo austero — cada macaco no seu galho — Lutero enfatizou o caráter comunal do cristianismo. " A igreja cristã é tua mãe", dizia Lutero, "que te faz nascer e te guia pela Palavra". Ele também chamou a igreja de "minha fortaleza, meu castelo, meu aposento". Ele disse, ecoando Cipriano, que fora da igreja não havia salvação. Lutero podia ser lírico ao louvar a igreja, como neste hino de 1535, que se parece muito com uma canção de amor secular:

Ela me é querida, a digna donzela,
E não a posso esquecer;
Dela o louvor, a honra e a virtude se comentam;
Então meu amor ainda mais cresce.
Eu busco o bem dela e, se eu quisesse endireitar os caminhos do mal,
Não me importo, ela vai me recompensar,
Com amor e verdade que não se esgotarão,
Que ela sempre me mostrará;
E fará tudo o que eu desejar.

Mas que é exatamente a igreja? Certa vez, Lutero respondeu impacientemente a essa pergunta: "Ora, uma criança de sete anos sabe o que é a igreja, isto é, cristãos santos e ovelhas que ouvem a voz de seu Pastor". Temos nessa resposta um impulso básico da eclesiologia de Lutero: o caráter essencialmente espiritual e não-institucional da igreja. Lutero não gostava da palavra alemã Kirche (que, como church, em inglês, ou cúria, em latim, deriva do grego kuriakon, a casa do Senhor), porque veio a significar a construção ou a instituição. Ele preferia Gemeine [hoje Gemeinde], "comunidade", ou Versammlung, "assembléia". Para ele, a verdadeira igreja era o povo de Deus, a comunidade de cristãos ou, como diz o Credo dos Apóstolos, a comunhão dos santos. Com base nessa perspectiva, Lutero desenvolveu uma doutrina da igreja ricamente matizada. Devemos examinar com mais minúcia as três facetas dessa doutrina:

1) a prioridade do evangelho, 

2) Palavra e sacramento e 

3) o sacerdócio de todos os cristãos.

Timothy George

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