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terça-feira, 30 de março de 2010

0 O Pecado da Incredulidade - J. C. Ryle


A passagem de Marcos 6.1-6 - nos mostra nosso Senhor Jesus Cristo em "sua terra", Nazaré, onde fora criado. Este texto é uma melancólica ilustração da iniqüidade do coração humano e merece especial atenção.

Vemos, em primeiro lugar, quão inclinados são os homens a subestimar as coisas com as quais estão familiarizados. Os homens de Nazaré "escandalizavam-se" em nosso Senhor. Eles achavam inconcebível que alguém que vivera entre eles por tantos anos, cujos irmãos e irmãs eles conheciam, merecesse ser seguido como um mestre do povo.

Nunca houve uma localidade na terra com tantos previlégios como Nazaré. Durante trinta anos, o Filho de Deus residira naquela cidade, percorrendo as suas ruas para lá e para cá. Durante trinta anos, Ele andara com Deus, perante os olhos dos habitantes da cidade, vivendo uma vida perfeita e imaculada. Porém, isso foi tudo em vão para eles. Não estavam preparados para crer no evangelho, quando o Senhor voltou ao seu convívio e pôs-se a ensinar em sua sinagoga. Não podiam acreditar que alguém cujo rosto conheciam tão bem, com quem tinham vivido tanto tempo, comendo, bebendo e vestindo-se como qualquer um deles, tivesse qualquer direito de reivindicar sua atenção. "E escandalizavam-se nele."

Em tudo isso, não há coisa alguma que nos deva surpreender. O mesmo está sucedendo ao nosso redor, a cada dia, em nossa própria terra. As Escrituras, a pregação do evangelho, as ordenanças cristãs e os abundantes meios de graça que desfrutamos estão sendo continua-mente subestimados pelo povo de nossa pátria. Eles estão de tal forma acostumados com esses privilégios que nem ao menos os reconhecem como tal. É uma espantosa verdade que, no campo da religião, mais do que em qualquer outra atividade humana, a familiaridade gera o desprezo.

Há um grande consolo nesse aspecto da experiência de nosso Senhor para alguns que fazem parte do povo de Deus. Há nisso um consolo para os fiéis ministros do evangelho, os quais se sentem desanimados diante da incredulidade do povo em geral, ou de seus ouvintes regulares. Há consolo para os verdadeiros crentes, que se sentem sozinhos entre seus familiares, vendo todos eles apegados ao mundo. Lembrem-se esses crentes que estão bebendo do mesmo cálice que o seu amado Mestre bebeu. Lembrem-se que Ele também foi desprezado por aqueles que melhor O conheciam. Aprendam que a conduta mais coerente possível não faz outras pessoas adotarem os seus pontos de vista e opiniões, tal como sucedeu ao povo de Nazaré. Que esses crentes saibam que as entristecedoras palavras de seu Senhor, em geral, cumprem-se na ex¬periência diária dos seus servos: "Não há profeta sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua casa".

Em segundo lugar, aprendamos quão humilde foi a posição que nosso Senhor condescendeu em ocupar em sua vida, antes de iniciar seu ministério público. Os habitantes de Nazaré comentaram a respeito dEle, com desprezo: "Não é este o carpinteiro...?"

Essa é uma expressão notável, encontrada exclusivamente no Evangelho de Marcos. Ela nos mostra claramente que, durante os primeiros trinta anos de sua vida, nosso Senhor não se envergonhou de trabalhar com as próprias mãos. Há algo de admirável e de avassalador nesse pensamento! Aquele que criou os céus, a terra, o mar e tudo quanto neles existe, Aquele sem o qual nada do que foi feito se fez, o próprio Filho de Deus, tomou sobre Si mesmo a forma de servo, e do suor de seu rosto comeu o seu pão, como qualquer homem trabalhador. Isso, reflete "o amor de Cristo, que excede todo entendimento" (Ef 3.19). Embora rico, contudo, por amor a nós, Ele se fez pobre. Jesus humilhou--se, tanto no decorrer de toda a sua vida como na ocasião de sua morte, para que, por seu intermédio, os pecadores pudessem viver a reinar com Ele, eternamente.

Quando estivermos lendo esta passagem, lembremo-nos de que não há pecado algum na pobreza. Nunca precisaremos envergonhar-nos de ser pobres, a menos que a pobreza seja o resultado de nossos próprios pecados. Jamais deveríamos desprezar as pessoas por serem pobres. É uma desgraça alguém ser dado a jogatinas, ou ser um alcoólatra, ou um homem ganancioso, ou um mentiroso; entretanto, não há qualquer desgraça em trabalhar com as próprias mãos e ganhar o pão com o próprio labor. A idéia da carpintaria em Nazaré, deveria lançar por terra os altivos pensamentos de todos aqueles que fazem das riquezas um ídolo. Não pode ser desonroso ocupar a mesma posição que foi ocupada pelo filho de Deus e Salvador do mundo.

Em último lugar, percebemos quão excessivamente pecaminoso é o pecado da incredulidade. Duas notáveis expressões foram utilizadas para ensinar-nos essa lição. Uma delas é que nosso Senhor "não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos", em razão da dureza dos corações daquelas pessoas. A outra expressão é que nosso Senhor ' 'admirou-se da incredulidade deles''. A primeira dessas expressões mostra-nos que a incredulidade tem o poder de furtar dos homens as melhores bênçãos. E a segunda mostra-nos que a incredulidade é um pecado tão irracional e suicida que deixou o próprio Filho de Deus admirado.

Nunca será demais nossa vigilância contra o pecado de incredulidade. Esse é o mais antigo pecado da humanidade. Começou no jardim do Éden, quando Eva deu ouvidos às promessas do diabo, ao invés de crer nas palavras de Deus: "Certamente morrerás" (Gn 2.17). A incredulidade é o mais ruinoso de todos os pecados, quanto às suas conseqüências. Esse pecado trouxe a morte à humanidade inteira. Manteve o povo de Israel fora da terra de Canaã por quarenta anos. Esse é o pecado que, de modo especial, está lotando o inferno. "O que não crê já está julgado" (Jo 3.18). Esse é o mais insensato e incoerente de todos os pecados. Ele leva o ser humano a rejeitar a mais clara das evidências; ele fecha os olhos do homem diante do mais claro testemunho e leva-o a crer na mentira. E, o pior de tudo, a incredulidade é o pecado mais comum neste mundo. Milhares de pessoas são culpadas desse delito. Quanto à profissão verbal, muitas delas se dizem cristãs. Elas nada sabem acerca das idéias de Paine e de Voltaire. Mas, na prática, elas são realmente incrédulas. Não crêem na Bíblia Sagrada, nem recebem Cristo como o seu Salvador.

Exerçamos cuidadosa vigilância sobre os nossos próprios corações quanto a questão da incredulidade. O coração, e não a cabeça, é a sede desse misterioso poder. O que torna os homens incrédulos não é nem a ausência de evidências, nem as dificuldades da doutrina cristã. Antes, é a falta de desejo para crer. Eles amam o pecado. Estão presos ao mundo. Nesse estado mental, nunca lhes faltam razões plausíveis para confirmar a vontade que têm de não crer. O coração humilde, semelhante ao de uma criança, é o coração que crê.

Continuemos a vigiar os nossos corações, mesmo depois de havermos crido no Senhor. A raiz da incredulidade nunca é totalmente destruída. Basta que deixemos de vigiar e de orar, e logo surgirá uma grande safra de incredulidade. Nenhuma oração é tão importante quanto aquela que os discípulos fizeram: "Senhor: aumenta-nos a fé" (Lc 17.5).

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