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sábado, 27 de março de 2010

0 A Escravidão da Vontade - João Calvino


A Vontade do homem está escravizada ao pecado, e somente pode ser libertada pela graça.

A melhor maneira, porém, de saber o verdadeiro estado da mente e do coração do homem é considerar o caráter atribuído a ele nas Escrituras. Cristo disse: "O que nasceu da carne, é carne". Olhando isso como um retrato completo do homem natural, vemos que ele realmente é uma criatura miserável, pois a mente carnal, conforme Paulo testifica, é a morte, visto que é inimizade contra Deus, não está sujeita a lei de Deus, nem sequer pode estar, seria a carne tão perversa que luta contra Deus com todos os seus poderes? Não pode ser sujeita à justiça da lei divina? Em síntese: nada pode produzir senão o que é digno de morte? Então, tendo em vista que a natureza humana nada mais é senão carne, como poderemos achar nela qualquer coisa boa? Pode ser alegado que a palavra "carne" simplesmente denota as afeições sensu¬ais da alma do homem, e não sua parte superior, isto é, a razão. Mas tal alegação é abundantemente invalidada pelas palavras de Cristo e de Paulo. O argumento do Senhor é que o homem deve nascer de novo porque é carne; e Ele não quer dizer que o corpo do homem precisa nascer de novo.

Quanto à alma, somente se pode dizer que nasceu de novo se foi inteiramente renovada, não se alguma parte dela foi melhorada. Além disso, nas Escrituras citadas acima, o Espírito e a carne estão tão contrastados que não resta vínculo intermediário. Tudo quanto no homem não é espiritual, é declarado carnal. Mas do Espírito, nada temos senão o que recebemos mediante a regeneração: por conseguinte, tudo quanto temos da parte da natureza é carne. Se, contudo, pudesse haver qualquer dúvida quanto a isso, é removida pelas palavras de Paulo aos efésios: "...quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento" (Ef. 4:22,23). Aqui, ele não atribui paixões malignas àquela parte da natureza humana que pode ser chamada sensual; atribui-as à própria mente, e nos exorta para a sua renovação, "e vos renoveis no espírito do vosso entendimento". E pouco antes o apóstolo tinha demonstrado que somos corrompidos e pervertidos em toda parte da nossa natureza. Diante disso, o que ele diz acerca dos gentios, os quais "andam na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza dos seus corações", certamente aplica-se a todos aqueles a quem Deus não renovou em conformidade com Sua sabedoria e justiça. E isso fica mais claro através do contraste que imediatamente se segue: "Mas não foi assim que (vós, os crentes) aprendestes a Cristo" porque daí entendemos que a graça de Cristo é o único remédio que pode livrar-nos da referida cegueira, e dos males que a seguem.

De grande importância é o que diz Davi: "Pesados em balança, eles juntos são mais leves que a vaidade" (Sal. 62:9). Igualmente severa é a censura sobre o coração feita por Jeremias: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?" (Jer. 17:9). Todavia, visto que desejo ser breve, citarei apenas mais uma passagem que nos mostrará, como num espelho, um quadro completo da nossa natureza.

Nesta passagem (Rom. 3:10-18), o apóstolo Paulo, com a intenção de pôr por terra a arrogância da humanidade, cita os seguintes testemunhos dos profetas: "Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizerem inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos". Estes canhoneios ele lança, não contra certos indivíduos, mas sim contra a raça inteira dos filhos de Adão. Não está arengando contra a moral idade depravada de uma ou duas gerações de homens; está ferreteando a natureza humana com a corrupção universal e duradoura, pois seu objetivo aqui não é meramente exprobrar contra os homens para que os possa trazer ao arrependimento; pelo contrário, ele quer demonstrar que todos os homens estão assoberbados de uma ruína da qual não há escape a não ser que sejam livrados pela misericórdia de Deus.

Não me darei o trabalho de provar que Paulo empregou corretamente as passagens que cita do Velho Testamento; tratá-las-ei como se tivessem sido originalmente falado pelo apóstolo, e não tiradas dos profetas. Primeiramente assevera que o homem não possui justiça alguma; depois, que não possui entendimento algum. Ele infere que ao homem falta entendimento devido ter-se apostatado de Deus, e busca-lo seria o primeiro passo para a sabedoria. Em seguida acrescenta que todos os homens se desviaram e se tornaram abomináveis, e que não há nenhum deles que pratique o bem. Após isso, menciona os crimes mediante os quais os homens profanam seus vários membros depois de terem-se abandonado à iniqüidade. Finalmente, testifica que estão destituídos do temor de Deus, por cujas leis nossos passos devem ser regidos. Se tais são as riquezas hereditárias da raça humana, em vão procuramos algum bem em nossa própria natureza. Reconheço que nem todos estes vícios chegam à superfície da vida de todos os homens; ainda assim, não se pode negar que o monstro da iniqüidade, com cabeças de hidra, está à espreita no peito de todo homem.


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