Artigos...

wallpaper wallpaper wallpaper wallpaper wallpaper

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

0 O Espírito que Dá Vida!



“O espírito é o que vivifica.” João 6.63


Ao explicar a obra de Deus, você perceberá que começamos pelo primeiro ato gracioso e divino do Espírito — o sopro de vida espiritual na alma. Esta ação deve ser considerada como uma ação que precede todas as outras. A obra do Espírito como vivificador sempre deve preceder sua obra como santificador e consolador.

Se O buscamos em qualquer de suas funções, antes de O recebermos como o Autor da vida divina na alma, invertemos sua própria ordem e nos revestimos de desapontamento.  Iniciaremos a discussão deste assunto com a maior presteza, fundamentados na convicção de que as opiniões atuais acerca da doutrina da regeneração, defendidas e pregadas por muitos, não somente são muito diferentes dos antigos padrões de verdade doutrinária, mas também, o que é mais sério e profundamente lamentável, é que essas opiniões são do tipo que a Palavra de Deus repudia claramente e sobre as quais jaz tremenda escuridão.

A regeneração, conforme ensinada por muitos nos dias de hoje, difere muito da doutrina pregada nos dias dos apóstolos e dos reformadores. Nos escritos e nos discursos deles, a base era lançada ampla e profundamente sobre a depravação original e total do homem. Na atualidade, esta doutrina é muito modificada por várias pessoas, quando não é absolutamente negada. Nos dias da igreja primitiva, a completa incapacidade da criatura e a absoluta e indispensável necessidade da ação do Espírito Santo na regeneração da alma eram distinta e rigidamente estabelecidas.

Opiniões opostas a estas, subversivas da doutrina bíblica da regeneração e destruidoras dos melhores interesses da alma, são zelosa e amplamente divulgadas hoje. Sem dúvida, isto é motivo para profunda humilhação perante Deus. Que Ele restaure em seus ministros e em seu povo uma linguagem pura e, de forma amável, renove as verdades preciosas que humilham a alma e honram a Cristo, as verdades que uma vez foram a proteção e a glória de nossa nação.

Propomos... uma descrição simples e bíblica da doutrina da regeneração, a obra do Espírito Santo em produzi-la e alguns dos efeitos verificados na vida de um crente. Que a unção daquele que é Santo venha sobre o leitor e que a verdade limpe, santifique e conforte o coração.

A regeneração é uma obra autônoma e distinta de todas as outras ações do Espírito Divino. Ela deve ser cuidadosamente diferenciada da conversão,(1) da adoção,(2) da justificação(3) e da santificação;(4 ) e tem de ser entendida como a base e a fonte destas. Por exemplo, não pode haver conversão sem um fundamento de vida na alma, pois a conversão é o exercício de um poder espiritual inserido no homem. Não há senso de adoção à parte de uma natureza renovada, pois a adoção concede apenas o privilégio, e não a natureza, de ser filho. Não existe o reconfortante senso de aceitação no Amado, enquanto a mente não passa da morte para a vida; também não existe o menor progresso numa conformidade da vontade e das afeições à imagem de Deus, se falta na alma a raiz de santidade. A fé é uma graça purificadora, mas ela se encontra apenas no coração criado de novo em Cristo Jesus. É necessário existir uma renovação espiritual do homem, por completo, antes que a alma passe ao estado de adotada, justificada e santificada.

Leitor, medite seriamente sobre esta verdade solene.

Octavius Winslow - (1808-1878). 



readmore

terça-feira, 31 de julho de 2012

0 Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas – John MacArthur




Esta não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se introduziu na igreja. Isso tem acontecido em todas as principais épocas da história da igreja. Batalhas pela verdade têm rugido na comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica que os falsos mestres na igreja logo se tornaram um problema significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho chegasse. Quase todas as principais epístolas do Novo Testamento abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos "falsos apóstolos, obreiros fraudulentos", que se transformavam em apóstolos de Cristo (2 Coríntios 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar. Afinal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformam em ministros de justiça" (w. 14-15).

Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso pode acontecer em nossos tempos. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Timóteo 6.20-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência da re-alidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé.

Em sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa realmente uma vitrine maravilhosa de oportunidades para a igreja de Jesus Cristo. A arrogância que dominava a era moderna está em suas agonias de morte. O mundo, na sua maior parte, foi apanhado em desilusão e confusão. As pessoas se sentem inseguras a respeito de quase tudo e não sabem que rumo tomar em busca da verdade.

Entretanto, a pior estratégia para ministrar o evangelho num clima assim é os cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade, de modo definitivo, através de seu Filho (Hebreus 1.1-2). E temos, nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem (2 Pedro 1.19-21).
O pós-modernismo é simplesmente a expressão mais atual da incredulidade mundana. Seu valor essencial — uma ambivalência dúbia para com a verdade — não passa de ceticismo destilado em sua essência pura. No pós-modernismo, não existe nada virtuoso nem genuinamente humilde. Ele é uma rebelião arrogante contra a revelação divina.

De fato, a hesitação do pós-modernismo no tocante à verdade é a antítese exata da confiança ousada que, segundo as Escrituras, é o direito de família de todo crente (Efésios 3.12). Essa segurança é operada pelo próprio Espírito de Deus naqueles que crêem (1 Tes-salonicenses 1.5). Precisamos valorizar essa segurança e não temer confrontar o mundo com ela.

A mensagem do evangelho, em todos os fatos que a constituem, é uma proclamação clara, específica, confiante e autorizada de que Jesus é Senhor e de que Ele dá vida eterna e abundante a todos os que crêem. Nós, que conhecemos verdadeiramente a Cristo e recebemos aquela dádiva da vida eterna, também recebemos da parte dEle uma comissão clara e específica de transmitir com ousadia a mensagem do evangelho, como embaixadores dEle. Se não demonstrarmos igualmente clareza e nitidez em nossa proclamação da mensagem, não seremos bons embaixadores.

Mas não somos meros embaixadores. Somos, ao mesmo tempo, soldados comissionados a guerrear em favor da defesa e disseminação da verdade, face aos ataques constantes contra a verdade. Somos embaixadores com uma mensagem de boas-novas para as pessoas que andam em trevas e vivem na região da sombra da morte (Isaías 9.2). E somos soldados — com ordens para destruir fortalezas ideológicas e derrubar as mentiras e enganos engendrados pelas forças do mal (2 Coríntios 10.3-5; 2 Timóteo 2.2-4).

Observe atentamente: nossa tarefa como embaixadores é levar as boas-novas às pessoas. Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas. Devemos manter esses objetivos no seu devido lugar; não temos o direito de declarar guerra contra as próprias pessoas, nem de entrar em relacionamentos diplomáticos com idéias anti-cristãs. Nossa guerra não é contra a carne e o sangue (Efésios 6.12); nosso dever como embaixadores não nos permite transigir com qualquer tipo de filosofia humana, engano religioso ou outro tipo de mentira nem a nos alinhar com alguma delas (Colossenses 2.8).

Se parece difícil manter essas duas tarefas em equilíbrio e na pers-pectiva adequada, isso acontece porque elas são realmente difíceis.

Judas certamente entendeu isso. O Espírito Santo o inspirou a escrever a sua breve epístola a pessoas que estavam lutando com essas mesmas questões. Contudo, ele as exortou a batalharem diligentemente pela fé, contra toda falsidade, ao mesmo tempo que faziam tudo que lhes era possível para livrarem almas da destruição: arrebatando-as "do fogo... detestando até a roupa contaminada pela carne" (Judas 23).

Somos, portanto, embaixadores e soldados; procuramos alcançar os pecadores com a verdade, ao mesmo tempo que envidamos todos os esforços para destruir as mentiras e outras formas de mal que os mantêm na escravidão mortífera. Esse é um resumo perfeito do dever de todo cristão na guerra pela verdade.

Martinho Lutero, aquele nobre soldado do evangelho, lançou este desafio diante dos cristãos de todas as gerações que o sucederam, ao dizer:

Se, com a voz mais elevada e a exposição mais nítida, eu professar toda porção da verdade de Deus, mas não confessar exatamente o pormenor que o mundo e o Diabo estão atacando naquele momento, não estou confessando a Cristo, ainda que esteja professando-0 com ousadia. Onde a batalha ruge, ali é provada a lealdade do soldado. E ficar firme em todos os demais pontos do campo de batalha é mera fuga e vergonha, se o soldado falhar naquele pormenor.
readmore

sábado, 28 de julho de 2012

0 Crescimento para Baixo – J. I. Packer



A vida de santidade é uma vida de crescimento para baixo o tempo todo. Quando o apóstolo Pedro escreve: "Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe 3.18), e Paulo fala de crescer em Cristo (Ef 4.15) e alegra-se com o crescimento da fé dos tessalonicenses (2Ts 1.3), o alvo de ambos é um progresso na direção da pequenez pessoal, que permite que a grandeza de Cristo apareça. O sinal deste tipo de progresso é que as pessoas se sintam e digam cada vez mais que nada são e que Deus, em Cristo, tornou-se tudo de que precisam para levar a vida adiante. É dentro desta estrutura, desta contínua diminuição do nosso ego carnal, como podemos chamá-la, que enquadra-se a tese deste capítulo.


O que pretendo discutir é que os cristãos são chamados a uma vida de contínuo arrependimento, como uma disciplina integral para uma vida santa saudável. A primeira das noventa e cinco teses de Lutero, fixadas na porta da Igreja de Wittenberg em 1517, declarava: "Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: 'Arrependei-vos' (Mt 4.17), ele queria que a vida toda dos cristãos fosse marcada pelo arrependimento". O puritano Philip Henry, que morreu em 1696, respondeu à insinuação de que enfatizara o arrependimento em demasia, afirmando que esperava carregar o seu próprio arrependimento até às portas do céu. Estas duas citações indicam a compreensão que estamos sintonizando no momento.


Aqui onde moro, na província de British Columbia, onde as chuvas são fortes, as estradas onde o sistema de drenagem de água falha logo ficam inundadas e intransitáveis. O arrependimento, como veremos, é a drenagem rotineira da estrada da santidade na qual Deus nos chama a todos a trilhar. É o caminho que tomamos na nossa vida que é oposto àquele que mostrou-se cheio de água suja, parada, e cheio de detritos. Esta rotina é uma necessidade vital, pois onde não há o verdadeiro arrependimento, não há o verdadeiro progresso espiritual, e o verdadeiro crescimento espiritual fica estagnado.


Em falando de contínuo arrependimento, não quero deixar a impressão de que o arrependimento pode tornar-se algo automático e mecânico, como o são nossas regras de etiqueta à mesa e hábitos para dirigir um carro. Isto não pode acontecer.


Cada gesto de arrependimento é uma ação separada e um esforço moral distinto, talvez algo que exija um alto preço. Arrepender-se nunca é agradável. Sempre, de diversas formas, é um gesto que causa dor, e continuará sendo enquanto vivermos. De modo algum, quando falo de arrependimento contínuo, tenho em mente formar e manter um hábito consciente de arrependimento tão freqüente quanto a nossa necessidade - embora isto, sem dúvida, signifique (vamos encarar os fatos) uma prática diária na nossa vida. É a sabedoria de igrejas que usam liturgias de modo a fornecer orações de penitência para serem usadas em todos os cultos. Essas orações sempre caem como uma luva. Em nossos momentos particulares de devoção, as orações de penitência diárias sempre serão uma necessidade também.


Pouco se fala nesses dias sobre a disciplina do arrependimento contínuo. É visível que os escritores sobre as disciplinas espirituais não têm tratado deste assunto, e o Dictionary ofChristian Spirituality (Dicionário da Espiritualidade Cristã) padrão, publicado agora nos Estados Unidos como o Westminster Dictionary (Dicionário de Westminster), não faz menção do assunto. No entanto, trata-se de uma lição básica que deve ser aprendida na escola da santidade de Cristo. Como já foi dito, o tema é vital para a saúde espiritual. Portanto, vamos tentar entendê-lo melhor.


O QUE É ARREPENDIMENTO?

O que é arrependimento? O que significa arrepender-se?

O termo é pessoal e relacionai. Implica em voltar ao que se estava fazendo antes, e renunciar ao mau comportamento pelo qual a vida e os relacionamentos estavam sendo prejudicados. Na Bíblia, arrependimento é um termo teológico que indica um abandono daquelas atitudes que afrontam Deus envolvendo-se no que ele odeia e proíbe. O termo no hebraico para arrependimento significa desviar-se, ou retornar. O termo correspondente no grego tem o sentido de mudança de mente de modo a mudar os caminhos também. Arrependimento significa mudar hábitos de pensamento, atitudes, ponto de vista, política, direção e comportamento na medida certa para deixar de lado o caminho errado e seguir o caminho certo. Arrependimento é, na verdade, uma revolução espiritual. Esta, agora, nada mais é do que a realidade humana que iremos explorar.

O arrependimento, no sentido pleno da palavra - mudar de fato o caminho descrito - só é possível para os cristãos que foram libertos do domínio do pecado e vivificados para Deus. Arrependimento, neste sentido, é um fruto da fé e, como tal, um dom de Deus (cf. At 11.18). O processo pode ser aliterativamente analisado sob os seguintes tópicos:

1.      Reconhecimento real de que se desobedeceu e falhou para com Deus, fazendo o que era errado em vez do que era certo. Isto parece mais fácil do que realmente é. T. S. Eliot disse uma verdade quando fez a seguinte observação: "A humanidade não consegue suportar a realidade". Não existe nada como uma sensação sombria de culpa no coração para nos levar, de uma maneira apaixonada, a fazer o jogo de fingir que nada aconteceu, ou nos imaginar fazendo algo que seja moralmente reprovável. Assim, após cometer adultério com Bate-Seba e completar a ação com o assassinato do marido dela, Davi disse para si mesmo que era simplesmente uma questão de privilégio real e que, portanto, nada tinha a ver com sua vida espiritual. Assim, Davi tirou aquilo da cabeça, até que a repreensão do profeta Natã "Tu és o homem!" (2Sm 12.7) fê-lo perceber, por fim, que ele havia ofendido a Deus. Esta consciência foi, e é, a semente que germina o arrependimento. Ela não cresce em outro lugar. O verdadeiro arrependimento só começa quando a pessoa transpõe o que a Bíblia vê como auto-engano (cf. Tg 1.22, 26; 1Jo 1.8) e o que os especialistas modernos chamam de negação, para o que a Bíblia chama de convicção do pecado (Jo 16.8).

2.      Profundo remorso pela desonra causada ao Deus que se está aprendendo a amar e desejando servir. Esta é a marca do coração contrito (SI 51.17; Is 57.15). A Idade Média fez uma distinção proveitosa entre atrição e contrição (a primeira significa arrepender-se do pecado motivado por medo de si mesmo e por amor a Deus respectivamente; a segunda leva ao verdadeiro arrependimento, enquanto a primeira não consegue fazê-lo). O cristão sente não apnas atrição, mas contrição, como aconteceu com Davi (SI 51.1-4, 15-17). O remorso contrito, que brota de um sentimento de ter insultado a bondade e o amor de Deus, é descrito e exemplificado na História de Jesus sobre o retorno do filho pródigo à casa do pai (Lc 15.17-20).

3.      Pedido reverente pelo perdão divino, purificação da consciência e ajuda para não falhar na mesma área novamente. Um exemplo clássico des¬se pedido encontra-se na oração de penitência de Davi (SI 51.7-12). O arrependimento do cristão sempre, e necessariamente, inclui o exercício da fé em Deus para obter estas bênçãos de restauração. O próprio Jesus ensina qual deve ser a oração dos filhos de Deus: "Perdoa-nos os nossos pecados (...) E não nos deixes cair em tentação" (Lc 11.4).


4. Resoluta renúncia dos pecados em questão, com pensamentos deliberados sobre como manter-se limpo deles e viver corretamente no futuro. Quando João Batista disse para a elite religiosa oficial de Israel: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Mt 3.8), ele estava chamando seus membros a uma mudança de direção.

5. Restituição necessária à qualquer pessoa que tenha sofrido perdas materiais em virtude dos erros cometidos. A lei do Antigo Testamento, nestas circunstâncias, exigia a restituição. Quando Zaqueu, o judeu renegado por ser cobrador de impostos, tornou-se um dos discípulos de Jesus, ele comprometeu-se em retribuir quatro vezes mais cada ato de extorsão que tivesse praticado, ao que parece no modelo das exigências de Moisés de quatro ovelhas para cada uma roubada ou tirada de seu dono (Êx 22.1; cf. Êx 22.2-14; Lv 6.4; Nm 5.7).

Uma aliteração alternativa (como se uma não fosse suficiente!) seria:
1.      discernir a perversidade, insensatez e culpa no que se fez;

2.      desejar o perdão, abandonar o pecado e viver uma vida que agrada a Deus daqui em diante;

3.      decidir pedir perdão e poder para mudar;

4.      dirigir-se a Deus da maneira devida;

5.      demonstrar, ou pelo testemunho e confissão, ou pelo comportamento transformado, que o pecado cometido ficou para trás.

Esse é o arrependimento - não apenas o primeiro arrependimento que ocorre na conversão de um adulto, mas o arrependimento recorrente do discípulo adulto - que é o nosso tema aqui.

J. I. Packer
readmore

quarta-feira, 25 de julho de 2012

0 Nada menos que o Céu!! – Richard Baxter (1615 - 1691)




O cristão vivo é o consagrado. É nossa distância do céu que nos torna tão insípidos: é o fim que vivifica todos os meios, e mais vigoroso será nosso movimento, se observamos esse fim com freqüência e de forma clara. Como os homens trabalham de forma incansável e se aventuram sem medo, quando pensam em um prêmio proveitoso! Como o soldado arrisca sua vida, e o marinheiro enfrenta tormentas e ondas; como eles, cheios de alegria, circundam a terra e o mar, e nenhuma dificuldade os intimida, quando pensam em um tesouro incerto e perecível! Quanta vida seria acrescentada nos esforços do cristão se ele antecipasse com freqüência esse tesouro eterno! Corremos devagar, e esforçamo-nos de forma indolente, porque nos importamos muito pouco com o prêmio! Quando o cristão saboreia constantemente o maná velado, e bebe dos rios do Paraíso de Deus, como esse manjar e néctar divinos acrescentam vida a ele!

Como, em suas orações, seu espírito será fervoroso, quando ele considerar que ora por nada menos que o céu! Observe o homem que passa muito tempo no céu e verá que ele não é como os outros cristãos. Algo do que ele viu lá em cima aparece em suas responsabilidades e em sua conversa; ainda mais, pegue esse mesmo homem logo após retornar dessas visões bem-aventuradas e perceberá facilmente que ele se sobrepuja a si mesmo, e como seus sermões são divinos. Se ele for um cristão comum, ele terá uma conversa divina, orações divinas e atitudes divinas! Quando Moisés esteve com Deus no monte, ele recebeu tanta glória de Deus que seu rosto resplandecia a ponto de as pessoas não conseguirem olhar para ele.

Amados amigos, se você apenas se dedicar a isso, essa glória também estará com você. Os homens, quando conversassem com você, veriam sua face resplandecer e diriam: "Certamente, ele esteve com Deus". Se você tivesse luz e calor, então por que não passaria mais tempo debaixo da luz do sol? Se você tivesse mais dessa graça que flui de Cristo, por que não passaria mais tempo com Cristo para ter ainda mais? Sua força está no céu, e sua vida também está no céu, e ali você deve buscá-las todos os dias, se quiser tê-las. Por falta desse recurso do céu, sua alma é como uma vela apagada, e seu serviço como um sacrifício sem fogo. Para sua oferta queimar, é preciso que busque carvão nesse altar. Para sua vela brilhar, é preciso acendê-la nessa chama e alimentá-la todos os dias com o óleo proveniente dali; fique próximo desse fogo renovador e veja como seus sentimentos ficarão revigorados e fervorosos. Como os olhos alimentam os sentimentos sensuais por meio do olhar fixo nos objetos fascinantes, também os olhos de nossa fé, por meio da meditação, inflamam nossos sentimentos em relação ao Senhor, ao mirar com freqüência essa mais sublime beleza.

Você pode exercitar suas funções de muitas outras formas, mas essa é a forma de exercitar suas bênçãos. Todas elas provêm de Deus, a fonte, e levam a Deus, o fim último, e são exercitadas em Deus, o objeto principal delas, de forma que Deus é tudo em todos. Elas vêm do céu, e a natureza delas é divina, e elas o direcionarão para o céu e o levarão para lá. E como o exercício abre o apetite e dá força e vida ao corpo, o mesmo também acontece com a alma. Pois como a lua é mais gloriosa e fica mais cheia quando fica mais diretamente face a face com o sol, também sua alma ficará mais cheia de dons e de bênçãos quando vir a face de Deus mais de perto. Seu zelo compartilhará da natureza dessas coisas que o impulsionam: portanto, o zelo que é inflamado por suas meditações sobre o céu, provavelmente, será um zelo mais divino, e a vida do espírito que você busca na face de Deus deve resultar em uma vida mais sincera e consagrada.

Se você apenas pudesse ter o espírito de Elias, e na carruagem da contemplação pudesse elevar-se nas alturas até que se aproximasse da vivificação do Espírito, sua alma e seu sacrifício arderiam gloriosamente, apesar de a carne e o mundo lançar sobre eles a água de toda sua inimizade antagônica. Pois a fé tem asas, e a meditação é a carruagem; sua responsabilidade é tornar presente as coisas ausentes. Você não vê que um pequeno pedaço de vidro, quando direcionado para o sol, condensará de tal forma seus raios e calor a ponto de queimar aquilo que está atrás dele, mas que, sem ele, esse objeto teria recebido apenas pouco calor? Oras, sua fé é o vidro que faz queimar seu sacrifício, e a meditação o posiciona diante do sol; apenas não o afaste logo, mas segure-o ali por um pouco de tempo, e sua alma sentirá o venturoso efeito.

Certamente, se conseguirmos entrar no Santo dos Santos, trazendo de lá a imagem e o nome de Deus, guardando-os em nosso coração, bem pertinho de nós, isso possibilitará que façamos maravilhas: toda responsabilidade que realizarmos será uma maravilha, e aqueles que a presenciarem prontamente dirão: "Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala" (Jo 7.46). O Espírito nos dominará, como aquelas línguas de fogo, e far-nos-á falar a todos sobre as obras maravilhosas do Senhor.
readmore

quarta-feira, 30 de maio de 2012

0 Uma igreja sem santidade - C. H. Spurgeon




Livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo. 2 Pedro 1.4


Rejeite para sempre todos os pensamentos de satisfazer a carne, se você deseja viver no poder de seu Senhor ressuscitado. Habitar na corrupção do pecado é trágico para um homem que está vivo em Cristo. "Por que buscais entre os mortos ao que vive?" (Lucas 24.5.)


Os vivos devem viver em um sepulcro? A vida divina dever ser sepultada no túmulo da concupiscência carnal? Como podemos participar do cálice do Senhor e, ao mesmo tempo, beber o cálice de Satanás? Certamente, você foi liberto de concupiscências e pecados visíveis. Você também escapou das armadilhas ocultas e ilusórias de Satanás?


Você já escapou da indolência? Já está livre da segurança carnal? Está procurando, dia após dia, viver acima do mundanismo, da avareza e da soberba da vida? Lembre-se de que foi por esse motivo que você foi enriquecido com todas os tesouros de Deus. Não permita que todo o abundante tesouro da graça seja desperdiçado por você mesmo.


Siga a santidade; ela é a coroa e a glória do crente. Uma igreja sem santidade é inútil para o mundo e não recebe apreciação da parte dos homens; é uma abominação, uma alegria para o inferno e um aborrecimento para o céu.


Os piores males que foram trazidos ao mundo surgiram por intermédio de uma igreja sem santidade. Você é um sacerdote de Deus — viva de acordo com essa posição. Você é um eleito de Deus — não se associe com o pecado. O céu é a sua herança. Viva como um ser celestial e você comprovará que possui a fé verdadeira em Jesus. Não pode haver fé no coração, a menos que exista santidade no viver.
readmore

segunda-feira, 28 de maio de 2012

0 Abusando da misericórdia de Cristo - Richard Sibbes (1577-1635)



E os melhores dentre nós podem cometer escândalo contra essa disposição misericordiosa, caso não estejamos vigilantes contra aquela liberdade que nossa disposição carnal estará pronta para dela tirar. Desse modo, arrazoamos, se Cristo não apagará o pavio que fumega, que necessidade temos de recear que qualquer negligência de nossa parte possa nos trazer para uma condição sem conforto? Se Cristo não apagará, o que poderá fazê-lo?


Tu conheces a interdição do apóstolo, qual seja, “não extingais o Espírito” (1 Ts 5.19). Tais cautelas para não apagar são santificadas pelo Espírito como meio de não apagar. Cristo desempenha seu ofício de não apagar excitando adequados esforços em nós; e ninguém há mais solícito no uso dos meios do que aqueles que estão mais certos de seu bom êxito.


A razão é esta: os meios que Deus reservou para o efetuar de qualquer coisa estão inclusos no propósito que ele tem de fazer aquilo se suceder. E isso é um princípio tido por certo, mesmo nas matérias civis; pois quem, se de  antemão soubesse que este seria um ano frutífero, penduraria pois seu arado e descuidaria da lavoura?

Por isso, o apóstolo estimula-nos a partir da expectativa certa de uma bênção (1 Co 15.57,58), e tal encorajamento, que parte do bom desfecho da vitória, é pensado para nos incitar, e não para nos dissuadir. Se formos negligentes no exercício da graça recebida e do uso dos meios prescritos, permitindo que nossos espíritos sejam oprimidos com muitos e variados cuidados desta vida, e não tivermos cuidado com os desencorajamentos momentâneos, em razão desse tipo de descuido, Deus, em seu sábio cuidado, permite que freqüentemente caiamos em uma condição pior em nossos sentimentos do que aqueles que nunca foram tão iluminados. Todavia, em misericórdia ele não tolerará que sejamos tão inimigos de nós mesmos a ponto de inteiramente negligenciar essas faíscas uma vez acendidas. Caso fosse possível que devêssemos abandonar todo esforço em absoluto, então poderíamos procurar por não outro resultado senão apagar; porém, Cristo tomará o cuidado dessa fagulha e nutrirá essa sementinha, para que ele sempre preserve na alma algum grau de cuidado.



Se fizermos um confortador uso disso, devemos considerar todos aqueles meios pelos quais Cristo preserva a graça iniciada; tais como, primeiro, a santa comunhão, pela qual um cristão aquece outro. “Melhor é serem dois do que um” (Ec 4.9). “Não ardia em nós o nosso coração?”, disse os discípulos (Lucas 24.32). Em segundo lugar, muito mais comunhão com Deus nos santos deveres, tais como meditação e oração, que não apenas acende como agrega um lustre à alma. Em terceiro lugar, sentimos por experiência o sopro do Espírito ir junto com o de seus ministros. Por essa razão o apóstolo entrelaça esses dois versículos em um: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias” (1 Ts 5.19,20). Natã, por poucas palavras, assoprou as centelhas que definhavam em Davi. Em vez de Deus aceitar que seu fogo em nós se extinga, ele enviará algum Natã ou outro, e algo é sempre deixado em nós para juntar com a Palavra, desde que da mesma natureza dela; como um carvão que tem fogo em si rapidamente ajunta mais fogo para si. O pavio que fumega facilmente pegará fogo.

Em  quarto lugar, a graça é fortalecida pelo seu exercício: “Levanta-te, pois, e faze a obra, e o Senhor seja contigo” (1 Cr 22.16), disse Davi a seu filho Salomão. Estimula a graça que está em ti, pois desse modo santas moções viram resoluções, resoluções, prática, e prática, uma preparada prontidão para toda boa obra.

Não obstante, que lembremos que a graça é aumentada, no seu exercício, não em virtude do exercício em si, mas por Cristo, que, pelo seu Espírito, flui na alma e nos traz mais próximos de si próprio, a fonte, assim instilando tal conforto que o coração é mais adiante dilatado. O coração de um cristão é o jardim de Cristo, e suas graças são como tantas doces especiarias e flores as quais, quando seu Espírito sopra sobre elas, emitem um aroma agradável. Portanto, mantenha a alma aberta para acolher o  Espírito Santo, pois ele introduzirá continuamente forças adicionais para vencer a corrupção, e isso, sobretudo, no dia do Senhor. João estava no Espírito no dia do Senhor, precisamente em Patmos, o lugar de seu banimento (Ap 1.10). Então, os golpes de vento do Espírito soprarão de modo mais forte e meigo.

Como vimos, portanto, para o consolo dessa doutrina, que não favoreçamos nossa preguiça natural, mas antes nos exercitemos na piedade (1 Tm 4.7), e labutemos para manter esse fogo sempre queimando sobre o altar de nossos corações. Que preparemos nossas lâmpadas diariamente, e ponhamos dentro óleo novo, e alcemos nossas almas mais e mais alto ainda.

Descansar em uma boa condição é contrário à graça, que não pode senão promover a si para uma medida ainda maior. Que ninguém torne essa graça “em lascívia” (Judas 4). As fraquezas são uma razão de humildade, não uma justificativa à negligência nem um encorajamento à presunção. Longe estejamos de sermos maus, pois que Cristo é bom para que aquelas brasas de amor nos derretam. Logo, aqueles em quem a consideração de tal ternura de Cristo não opera dessa forma bem podem suspeitar de si próprios. Certamente, onde a graça está, a corrupção é “como vinagre para os dentes, como fumo para os olhos” (Pv 10.26). E, por conseguinte, eles labutarão, considerando o seu próprio conforto e, da mesma forma, o mérito da religião e a glória de Deus, para que a luz deles possa irromper. Se uma centelha de fé e amor é tão preciosa, que honra será ser rico em fé! Quem não prefere antes andar na luz, e nos confortos do Espírito Santo, a viver em um estado sombrio, confuso? E a velejar a todo pano para o céu a ser agitado sempre com medos e dúvidas? A presente dificuldade no conflito contra um pecado não é tanta quanto aquela perturbação que qualquer corrupção favorecida trará sobre nós posteriormente. A paz verdadeira está em conquistar, não em se entregar. O conforto tencionado neste texto é para aqueles que querem fazer melhor, porém, descobrem que suas corrupções os obstruem; que estão em uma tal bruma, que amiúde não podem dizer o que pensar de si mesmos; que querem acreditar e, todavia, com freqüência temem que não acreditam; e que pensam que não pode ser que Deus seja tão bom para miseráveis tais como eles, e, contudo, não permitem tais receios e dúvidas em si próprios.
readmore

segunda-feira, 21 de maio de 2012

0 Nisto Pensai - John Owen ( 1616-1683 )


Estejamos absolutamente certos de que essa glória de Cristo em Suas naturezas divina e humana é o melhor, o mais nobre e o mais útil objeto em que podemos pensar. O apóstolo Paulo afirma que todas as outras coisas são apenas perda e quando comparadas com ela, como estéreo (Filipenses 3:8-10). As Escrituras falam da estultícia das pessoas em gastar "...o dinheiro naquilo que não é pão, e o produto do seu trabalho naquilo que não pode satisfazer" (Isaías 55:2). Eles fixam seus pensamentos em seus prazeres pecaminosos, e se recusam de olhar para a glória de Cristo. Alguns chegam a ter pensamentos mais elevados sobre as obras da criação de Deus e de Sua providência, mas não há glória nessas coisas que se possa comparar com a glória das duas naturezas de Cristo. No Salmo oito, Davi está meditando na grandeza das obras de Deus.

Isto o faz pensar na pobre e fraca natureza do homem, que parece como nada se comparada àquelas glórias. Então ele começa a admirar a sabedoria, amor e bondade de Deus por exaltar acima de todas as obras da criação a nossa natureza humana que estava em Jesus Cristo. O autor sagrado explica isto em Hebreus 2:5-6.

Como são agradáveis e desejáveis as coisas deste mundo — esposa, filhos, amigos, posses, poder e honra! Mas a pessoa que tem todas estas coisas e também o conhecimento da glória de Cristo dirá: "A quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti" (Salmo 73:25) pois "Quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhante ao Senhor entre os filhos dos poderosos?" (Salmo 89:6). Apenas uma olhada na gloriosa beleza de Cristo é suficiente para vencer e capturar os nossos corações. Se não estamos olhando com freqüência para Ele, refletindo sobre a Sua glória, é porque as nossas mentes estão muito cheias de pensamentos terrenos. Desta forma, não estamos nos apossando da promessa de que nossos olhos verão o Rei em Sua beleza.


Uma das atividades da fé consiste em examinar as Escrituras, porque elas declaram a verdade sobre Cristo (veja João 5:39). Vamos ver a glória de Cristo nas Escrituras de três modos:

i. Por meio de descrições diretas de Sua encarnação e Seu caráter como Deus-homem. Gênesis 3:15; Salmos 2:7-9; 45:2-6; 78:17-18 e 110:1-7; Isaías 6:1-4; 9:6; Zacarias 3:8; João 1:1-3; Filipenses 2:6-8; Hebreus 1:1-3; 2:4-16; Apocalipse 1:17-18.

ii. Mediante numerosas profecias, promessas e outras expressões que nos levam a considerar Sua glória.

iii. Pelos exemplos de adoração divina que Deus instituiu no Velho Testamento e pelo testemunho direto dado a Ele do céu no Novo Testamento. Isaías disse: "Eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo" (Isaías 6:1). Esta visão de Cristo foi tão gloriosa que os serafins (criaturas celestiais que assistem nos céus) tiveram que cobrir as suas faces. Contudo, maior ainda foi a glória revelada abertamente nos dias apostólicos! Pedro nos diz que ele e os outros apóstolos foram testemunhas oculares da majestade do Senhor Jesus Cristo.

"Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo, segundo fábulas artificialmente compostas: mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu filho amado, em quem me tenho comprazido" (II Pedro 1:16-17). Deveríamos ser como o que procura por todo tipo de pérolas. Quando ele encontra uma de grande preço, vende tudo o que possui para que possa adquiri-la. (Mateus 13:45-46). Cada verdade das Sagradas Escrituras é uma pérola que nos enriquece espiritualmente, mas quando nos deparamos com a glória de Cristo encontramos tanta alegria que nunca mais desejaremos dispor dessa pérola de grande valor.

O glorioso da Bíblia é que agora ela é a única forma tangível de nos ensinar sobre a glória de Cristo. 3. Devemos meditar freqüentemente sobre o conhecimento da glória de Cristo que obtemos da Bíblia. As nossas mentes devem ser espirituais e santas e libertas de todos os cuidados e afeições terrenos. A pessoa que não medita agora com prazer na glória de Cristo nas Escrituras, não terá nenhum desejo de ver aquela glória nos céus. Que tipo de fé e amor têm as pessoas que acham tempo para meditar sobre muitas outras coisas, mas não têm tempo para meditar neste assunto glorioso?

Os nossos pensamentos devem se voltar para Cristo sempre que haja uma oportunidade a qualquer hora do dia. Se somos verdadeiros crentes e se a Palavra de Deus está em nossos pensamentos, Cristo está perto de nós (Romanos 10:8). Nós O encontraremos pronto para falar conosco e manter comunhão. Ele diz: "Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Apocalipse 3:20). E verdade que há momentos em que Ele Se retira de nós e não podemos ouvir a Sua voz.

E quando isso acontece, não podemos ficar contentes. Devemos ser como a noiva no Cântico de Salomão 3:1-4: "De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma: busquei-o, e não o achei. Levantar-me-ei, pois e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu perguntei-lhes: vistes aquele a quem ama a minha alma? Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma: detive-o, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou".

A experiência da vida espiritual de um cristão é forte em proporção aos seus pensamentos sobre Cristo que nele habita e seu deleite nEle (Gaiatas 2:20). Se tivermos deixado Cristo ausente de nossas mentes por muito tempo, devemos nos censurar por isso.

Todos os nossos pensamentos sobre Cristo e Sua glória devem ser acompanhados de admiração, adoração e ações de graças. Somos convidados a amar o Senhor com toda a nossa alma, mente e força (Marcos 12:30). Se somos verdadeiros crentes, a graça de Cristo opera em nossas mentes e almas renovadas e nos ajuda a fazer isso. Na vinda de Cristo como juiz no último dia, os crentes ficarão cheios de um tremendo sentimento de admiração por Sua gloriosa aparência — "...quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem" (II Tessalonicenses 1:10). Essa admiração se transformará em adoração e ações de graças; um exemplo disso é dado em Apocalipse 5:9-13, onde toda a Igreja dos redimidos canta um novo cântico. "E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e  para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhares de milhares e milhões de milhões, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória e ações de graças. E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre".

Há algumas pessoas que têm esperança de ser salvos por Cristo e de ver a Sua glória num outro mundo, porém não estão interessados em meditar, pela fé naquela glória neste mundo. Elas são semelhantes a Marta, que estava preocupada com muitas coisas e não com Maria, que escolheu a melhor parte, sentando-se aos pés de Cristo (Lucas 10:38-42). Que tais pessoas tomem muito cuidado para que não negligenciem nem desprezem o que deveriam fazer.

Alguns dizem que têm o desejo de contemplar a glória de Cristo pela fé, mas quando começam a considerar essa glória, eles acham que é coisa muito elevada e difícil. Eles ficam maravilhados, à semelhança dos discípulos no Monte da Transfiguração. Admito que a fraqueza de nossas mentes e a nossa falta de habilidade para entender bem a eterna glória de Cristo nos impede de manter os nossos pensamentos numa meditação firme e constante por muito tempo. Aqueles que não têm a prática e habilidade de uma santa meditação em geral não terão a capacidade de meditar neste mistério em particular. Mas, mesmo assim, quando a fé não consegue mais manter abertos os olhos do nosso entendimento para refletir sobre o Sol da Justiça brilhando em Sua beleza, pelo menos, pela fé ainda podemos descansar em santa admiração e amor.

readmore
Related Posts with Thumbnails

Lorem Ipsum

Lorem Ipsum

Lorem Ipsum

Lorem Ipsum

Sponsors

banner3

  © 2009 O CALVINISMO

Back to TOP